terça-feira, 2 de outubro de 2007

Dás-me Poesia?


Então? Dás-me poesia? Essa tua bela e doce poesia que não mais vê senão arte e vida.
E que poesia é essa que arde de amor? Poesia poesia...serás tu sincera?
Sorte da poesia que na Poesia não se olha a polígrafos.
Nada interessa na veracidade com que arte é feita. Apenas como esta é vivida. Tão falsa poesia de verdade.
Então? Dás-me essa tua poesia?

Eu, Tu, Nós...


Da minha paradoxal existência retiras apenas a leveza da memória. O nada de meus dados vazios. De mim, fonte não fazes, essência não bebes. De tudo exótico e virgem que te posso conceder, apenas a concha, forte, feia e fria, deleita teus grandes e inocentes olhos. Talvez o medo te entorpeça a bravura e a coragem. Quem sabe, não és tu criatura sana. Então, miras-me, aproximas-te no teu "Eu" afastado e podendo tocar-me, sussurras-me à distância de um grito. Então, de minha incógnita profundidade, caio para o topo da ingenuidade supérflua e efémera.
Digo eu que tenho em mim meu reflexo quando na verdade, sou eu prisioneiro do meu "outro". Ao espelho, repito para mim, e a mim me ouço em desespero. Todos querem saber quem "sou",mas ninguém "nos" quer conhecer.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Peça em meio acto.


O acto acabara de se iniciar.O público este, esperava desesperando e desconhecendo que fazia parte da peça.O Pano abre e o orgasmo desabrocha, a loucura tinge a realidade de utopia.As peças movem-me sem regras mas como que coreografadas. A morte e a alegria dançam qual casal apaixonado sedento de sexo e paixão desenfreada. No meio disto o louco chora...estava salvo...

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Relatos de um Hospício!




Quem disse que esta órbita em que todos habitamos não é quadrada?Pois eu o desminto em nome do Cubismo que a todos nós toca e foge, a todos excepto ao lunático que depois de ser tocado, não teve a inteligênciade olhar para o lado errado, conseguindo assim ver o incerto lado correcto que se disfarça não existindo.

Ordenem-me que me cale, e não me calarei. Obriguem-me a falar, e nem uma palavra soltarei. Podem-me torturar, mas não me irá doer se souber que nada vos dei. Façam-me chorar e sorrirei. Os vossos desejos não concretizarei. Desejem-me a morte e sobreviverei. E mesmo que me tirem a luz, verei, que nada disto tem sentido...

Parem de comer, afinal de contas, o que são vocês? Não me respondem? Não me ouvem? Nem sequer me vêm? Eu sei que não... sei que estou só numa câmara abafada, isolada e vazia a transbordar de mentes vagas como zombies à procura de um brilho de ouro falso que não é mais do que um arco-íris que se derrete quando o possuímos. Mas nem este erro vos faz abrir os olhos e a mente? Ainda se destroem e lutam pelo reflexo daquele brilho distante? Mas afinal o que querem vocês? O que quero eu?

Nada mais nada menos
Que centenas, milhares, milhões
De corpos que me aguardam
E ardentemente me desejam.
Observo-os timidamente,
Assemelham-se a bichos pasmos...
E idealizo atrevidamente,
Centenas, milhares, milhões de orgasmos...
Explodem,Lutam,Rasgam-me,Querem-me,Possuem-me,Queimam-me,Usam-me,Devoram-me,Desmembram-me,Amarram-me,Partem-me,Partilham-me,Satisfazem-me,Compem-me,Lambem-me,Beijam-me,Amam-me,Consomem-me,Matam-me...
Agora, não resta nada,
apenas estilhaços de uma confusão carnal consentida e procurada!

terça-feira, 24 de abril de 2007

Putridão


Tirem-me as cordas, tirem-me as correntes que me aprisionam a esta esfera mundana...Tirem-me a pele, tirem-me os ossos, os olhos e os cabelos que me encurralam neste cadáver andante que deambula e rasteja por entre esta gente pérfida e putrefacta que exala ganância e luxúria...Dêm-me voz e ergam-me, ergam-me não como um líder, não como ídolo, ergam-me como um ideal surreal que lutou e sofreu, para ter o direito de pensar, pensar para além das paredes e dos muros do preconceito. Por fim voo, voo como um louco para além dos limites deste Mundo realmente utópico, voo como um louco, mas voo.

quarta-feira, 18 de abril de 2007




"Estar perdido não depende de onde estamos, depende de onde queremos chegar"

"As pessoas não querem saber quem realmente és, querem sim saber o que tu pareces"

"Sou como sou. Talvez seja como quero ser..ou então sou o que tenho que ser...mas acho mesmo que sou assim porque não consigo ser outra coisa."

terça-feira, 17 de abril de 2007

Loucura




A Cancela
Aii estes loucos,

Estes loucos que desconhecem a loucura,

A loucura verdadeira e obscura,

Não a loucura de não saber o que é a loucura,

Pois essa loucura falsa e estúpida loucura não deixa ver

A loucura verdadeira e obscura..


Aii e este louco,

Este louco que procura a loucura,

A loucura verdadeira e obscura,

Não a loucura de procurar a loucura,

Pois esta aparente loucura não deixa ver

A loucura verdadeira e obscura...

Pois esta loucura não se vê, não se ouve, nem se sente...vive-se....






Linhas da Descontinuidade
Nestas faixas em que me encontro
Num deserto encharcado de ideias
Utópicas da realidade
Com que nos confrontamos
Com receio de encontrar a verdade
Que nos levará à tranquilidade
Ou à doce loucura
Que nos mata a saudade
E inexplicavelmente é a nossa cura
A loucura... A loucura... A loucura...